Amor-próprio: por aqui muitos aprendizados. E por aí?

Oi gente!

Tudo bem? Espero, verdadeiramente, que sim!

Me peguei refletindo sobre as etapas desta grande, e valiosa, experiência de vida que estou vivendo!

E sabe qual foi a conclusão que cheguei? Que tudo aconteceu como uma avalanche: inesperada e assustadora – ao menos no início do processo.

Inesperada porque ninguém espera (muito menos eu) receber a notícia de um câncer. Seja lá qual momento da vida. Não fomos programados para isso. Não existe um manual do que fazer, como se comportar, o que sentir e, sobretudo, o que NÃO sentir durante as fases.

Assustadora por vários motivos, mas destaco um em especial. Bem no iniciozinho do processo, além de ter que saber gerenciar emocionalmente o diagnóstico em si, a gente passa a conviver com o MEDO sobrenatural da morte e do desconhecido que viveremos nos meses seguintes.

Tudo isso porque até fazer todos os exames exigidos não temos certeza de nada sobre nosso corpo, sobre as chances de cura – sobre a sentença de vida. Perdemos o “controle” total da situação. A palavra metástase passa a ter um peso sobre-humano em nossas vidas e temos que gerenciar a dor do momento, a angústia dos resultados clínicos, as nossas emoções, a dor daqueles que amamos, além de querer parecer fortes para aqueles que estão muito próximos tentando de tudo ajudar.

Instantaneamente nos vemos numa verdadeira avalanche de sentimentos e ações práticas que precisam ser resolvidas antes do tratamento iniciar. São vários e vários exames para realizar (antes agendar e depois buscar e encaminhar), consultas médicas, ciclos pessoais e profissionais que precisam se encerrados ou colocados em stand-by (até poder retornar), cirurgia de catéter, planejamento do tratamento e da logística em casa e trabalho após tantas mudanças, a alimentação que muda bastante (especialmente a manipulação), os olhares de sentença de morte para quem perde os cabelos logo no início (meu caso), ler e estudar sobre o câncer etc etc etc. Detalhe: no meu caso tive – pasmem – apenas 15 dias para fazer muitas coisas. Foi uma correria insana para dar conta …

A vida sacode de um jeito e numa velocidade que nem sempre conseguimos acompanhar! #fato

E tem algo que ocorre, em paralelo – que foi o grande motivador deste post – que é a avalanche de mensagens de amigos, família, conhecidos e outros que passaram a enviar! O motivo da reflexão que comentei lá no início do texto.

Perdi as contas de quantos vídeos recebi; quantas indicações de chás e curas me passaram; quantos textos, estudos e dietas “revolucionárias” biparam no meu WhatsApp; convites para entrevista, eventos e palestras; fora as centenas de mensagens de carinho (e espanto) e desejo de orações que chagaram! Tudo isso no campo virtual, fora as manifestações presenciais, essas bem menores – quase sempre acompanhadas por justificativas (em áudio ou texto) com um fundo de culpa. A velha e temida…

Acredito que vários e vários não consegui nem dar o retorno merecido! Certamente alguns ficaram sem resposta, mas, fica aqui registrado que não dei conta… e dois pontos contribuíram:

1) O fato de ter que gerenciar muitos fatos “novos” ao mesmo tempo em que as pessoas iam sabendo e se surpreendendo com a notícia do meu câncer!; e

2) Pelo fato de que a primeira fase exigiu muito de mim. Fiz quimios semanais, durante 3 meses. Quando começava a “virar gente” (como costumo falar quando estou bem e apta) já vinha a próxima quimio. Isso foi surreal. Logo, novamente, tinha que seguir prioridades como, por exemplo, dar vazão as necessidades do meu corpo e às coisas do trabalho.

Tentei responder o máximo possível, mesmo que com semanas de atraso. Mas, as mensagens vieram por vários canais… e até por isso algumas, com toda certeza passaram! Me perdi certamente!

Passados mais de 4 meses do diagnóstico, e 3 e meio do tratamento, o volume de mensagens diminuiu consideravelmente. Já não recebo mais tantos vídeos, receitas, curas e chás milagrosos – o que em tempo de fake news posso considerar até ótimo porque eu percebi que muitos nem validavam as informações. Repassavam à mercê, sem qualquer cuidado.

As visitas também estão mais raras. E sempre me pergunto se meu caso, como muitos em torno das pessoas, caiu no esquecimento em função de suas rotinas; se é porque moro longe; ou a pessoa acha que vai incomodar – não sabe como reagir; ou ainda porque a pessoa está numa fase ruim da vida dela e ela não consegue olhar em torno dela; ou mesmo porque não quer me trazer problemas. Honestamente quero acreditar na terceira e quinta hipóteses. Se o motivo for a quarta, claro, desde já estimo muito desejo de melhoras. Afinal, não estou aqui para julgar ninguém, só propondo uma reflexão…

Mas, vamos a ela? Mais uma: Como você está gerenciando seu tempo? Quando está dedicando um tempinho a alguém?

Final de ano porque era final de ano né, afinal a vida de todos seguiu, a minha é que travou (mesmo que temporariamente). Muitas festas de empresa, na escola dos filhos, confraternização com os amigos, com parceiros de trabalho, com a equipe da academia, a turma do departamento da empresa….

Por aqui? Muita observação e compreensão!

Início de ano porque é início de ano né! Novos planejamentos, novas metas, novos encontros corporativos, muitas reuniões e assim seguimos… o stress que estava lá em novembro e dezembro – que era porque era fechamento e final de ano – está mais que PRESENTE, te mostrando que nada mudou. Só mudou de mês, de trimestre, de meta (novas metas). Como ouvi dia desses de um amigo, o calendário mudou: setembro, outubro, janeiro, fevereiro, novembro e dezembro. Final do ano o assunto era planejamento de 2019. Entrou o ano e agora voltamos com as pendências de 2018. Aff… bem isso né gente! Quem nunca levanta a mão aí!

E por aqui… observando e desejando que muitos despertem!

Em resumo, se você acha que estou cobrando sua presença na MINHA VIDA, que pena, este texto não te ensinou nada. Ainda “não entrou” em você. Ainda não fez “sentido” para você! Talvez não seja para você!

Você, na BEM DA VERDADE, ainda continua na grande rodinha do hamster e não se deu conta da sua existência como SER HUMANO. Na importância do teu AMOR-PRÓPRIO. No quanto quem realmente importa em sua vida: VOCÊ, sua família, seus filhos, seus amigos… Agendou essas metas no teu planejamento pessoal? Ah, ainda não desenhou o teu planejamento?, tão pouco pensou no teu planejamento pessoal? Perceba que o primeiro item é VOCÊ…

E a primeira quinzena de fevereiro já foi…. só para avisar!! 😬

E por aqui? Torcendo para você aprender pela observação…

Por aqui, de fato, já fiz 2/4 das quimios vermelhas. Mais um mês e as quimios acabam 🙌🏻! Mais dois meses e farei a cirurgia. Mais um pouco e completo 8 meses de tratamento, cura e liberdade. Nova fase, muitas transformações. Muitas metas novas… Eu precisei ser freada para aprender. E você, quer um “trancão” desses para aprender o que te faz feliz?

E você, só após 8 MESES, vai querer marcar aquele cafezinho para me ver e discutir projetos, ideias e planos? Dar aquele abraço? Vai esperar mais 6 meses para ligar ou visitar seus pais? Vai esperar mais alguns anos para pedir perdão? Mais quanto tempo para dizer EU TE AMO?

E por aqui? Praticamente implorando para você “despertar”….

Saiba, meu amor-próprio está me ensinando a dizer muitos SIM’s pra mim. E isso tem representado muitos NÃO’s a muitas pessoas – as vezes por não estar disposta, o que não representa que não conseguimos remarcar e o mais principal: sentir a real intenção de quem me acionou.

A solidão só é sentida por quem vive uma realidade no dia a dia. Tua vida continuou, mas a minha, e possivelmente dos seus pais, filhos e amores continuou… cada um com seu processo, mas seguiu. E quem mais perdeu? Você, por não estar fazendo parte de muitos momentos especiais… de grandes aprendizados!

Na vida existem 3 formas de evoluir: meditação, observação ou experiência. A primeira e a terceira é você com você, de longe, sozinho! A segunda também pode ser na prática! Faça sua escolha!!!

Beijos carinhosos

Gi

💛

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