9ª quimio: o hematócrito despencou

Oieeee

Tudo bem? Desejo que sim.

A nona quimio, realizada dia 27 de dezembro, chegou com um grande susto. A bem da verdade não foi bem a quimio, mas o exame que fiz para validá-la. O hematócrito deu aquele susto, despencando quase 3.5 pontos, o que viria a ameaçar a 10ª quimio – programa para 3 de janeiro de 2019.

Sintomas da semana

Antes de me aprofundar na questão das taxas, deixa eu contar sobre os sintomas desta semana. Como já vinha ocorrendo nas últimas duas semanas, ando enjoando com mais frequência. E apesar disso tenho tentado evitar os remédios, haja vista a quantidade que já tomo a cada quimio. Tenho tentado controlar o enjoo com alimentação, chupando gelo, por exemplo, ou ainda bebendo os líquidos beeeeem gelados (tenho congelado água, isotônico e água de coco).

Um sintoma novo que surgiu foi a alteração no paladar. Passei a sentir menos os sabores das comidas em geral. É como se a língua estivesse “plastificada”. Até a cor mudou, ficou mais esbranquiçada. Sabe quando a gente queima a língua com algo quente? Não senti a dor do queimado, mas sim a perda da sensibilidade aos alimentos.

Olfato mais aguçado. Esse foi outro sintoma que percebi alteração. Estou muito sensível a cheiros. Alguns chegam a dar uma dor de cabeça imediata logo que entro em contato. E, dependendo do que é o cheiro, impacta diretamente em enjoo. É meio estranho isso, mas acontece. Logo preciso de ar puro e água.

Outro sintoma que veio com tudo foi a falta de apetite. Daí pode-se explicar a baixa repentina do hematócrito. Juntando isso ao fato de eu ter feito uma longa viagem de natal (autorizada pela médica) acabei não me alimentando direito. Já vinha desde a última semana sem vontade de comer as coisas. A equipe médica já tinha me alertado para isso, mas eu vinha lutando contra. Em especial, estou sentindo uma forte resistência com as frutas (que sempre adorei). Preciso comer 3 por dia, mas passei vários dias fugindo delas. Por vezes até era torturante saber que precisava comer, pois elas, assim como diversos outros alimentos, fazem total diferença nas taxas. No fundo, o que percebi, é que comer quase sempre a mesma coisa enjoo. E 9 quimios, significa mais de dois meses no processo alimentar diferenciado. Tem certos alimentos que já não posso nem ver.

O susto do hematócrito 

Semanalmente eu realizado um exame de sangue para validar a quimio. Analisamos 4 taxas: creatinina, hemograma, leucócitos e plaquetas.

Dessas 4 taxas, três delas monitoramos com mais atenção para não chegarem ao mínimo das referências das quimios, pois caso isso aconteça não posso realizar a quimio programada.

As plaquetas, por exemplo, não podem chegar a 100 mil. Mas, num geral, está bem longe disso desde o início do tratamento. O mínimo que ja chegou foi a 189 mil e o máximo 257.

Os leucócitos, apesar de já ter manifestado alterações celulares da oitava quimio em diante – totalmente normal para esta fase – segue dentro do quadro. O mínimo é 1.500 e a última medição ficou em 4.250. Iniciei o tratamento com 7.090.

Já o hematócrito, ah, esse tem roubado minha total atenção. Iniciei o tratamento com 40.1, o que foi considerado ótimo. Mas, fui informada que iria cair gradativamente. Fazendo as contas – bem racional né – me dei conta que talvez não chegaria ao final da primeira fase (12 quimios) sem ter que passar por suplementação. Se em média cairia um ponto por semana e o mínimo é de 30, logo pensei: essa conta não vai fechar.

E confesso que, semanalmente, eu ficava super ligada nessa taxa. E passei a me apavorar quando ele bateu nos 36 pontos, haja vista que a referência mínima para uma pessoa em condições normais é esse número. Abaixo disso começa anemia. Sempre manifestei essa preocupação para minha médica que dizia: calma, está dentro do quadro previsto. Claro, que conhecendo outras histórias eu via que eu estava ótima, como minha médica sempre me dizia, mas eu só pensava “tenho que ficar longe da marca dos 30, senão fico sem a quimio da semana e com isso meu tratamento vai se estender”. E eu fiz um trato comigo mesma: dar 100% do meu esforço para tudo que dependesse exclusivamente de mim.

Só que eu não contava com o que relatei mais acima: a falta de vontade de comer. E isso foi meu grande obstáculo na semana passada, que resultou num hematócrito de 30,7 – para meu desespero total porque na semana anterior estava com 34,1. A média de perda estava em 1 ponto a 1 ponto e meio e de repente baixou 3,4 pontos.

Ai entrei em parafuso, pois sabia que a quimio desta semana estava ok, mas e da próxima semana?  Me culpei por alguns instantes por não ter sido mais persistente com os sucos, as frutas, a alimentação em geral. Conversei com a médica e pedi uma suplementação. Passei a tomar diariamente um compromisso de ácido fólico e duas cápsulas de completo B. O sulfato ferroso deveria tomar dia sim, dia não, mas devido a uma forte diarreia parei no primeiro comprido.

Foquei muito na alimentação novamente. Cortei qualquer doce e me dediquei aos sucos: passando a tomar de 2 a 3 doses duplas por dia. Pela manhã o suco verde, a tarde um de laranja com beterraba e a noite só laranja. Comi de duas a três frutas por dia (mesmo sem vontade) e comi todas as refeições sem pular nenhuma. E com isso, para minha total felicidade consegui subir o hematócrito para 33,6 – praticamente 3 pontos. Pensa na minha alegria.

Enfim… por aqui seguirei com os sucos, as 3 frutas e os 3 litros de água por dia e tentando manter a alimentação, mesmo enjoando muito.

Sigo firme, forte e confiante. Só faltam mais duas para acabar a primeira fase. Dia 9 e 16 estarei lá, se Deus quiser.

Beijos

Gi

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