6 quimios, dois ciclos e muitos aprendizados

Oieeee

Tudo bem? Por aqui tudo bem… vim compartilhar as reflexões que fiz e tenho feito ao terminar mais um ciclo.

A cada três quimios fecho um ciclo. Esta semana fiz a sétima, validando com êxito dois ciclos completos. Ao todo serão 12 quimios semanais na fase branca – fechando 4 ciclos; e mais 4 doses na fase vermelha, essas serão quinzenais. Após este período fico, em princípio, apta para a cirurgia.

A cada nova quimio, faço várias novas descobertas. Não apenas de sintomas, mas, sobretudo, de muitos aprendizados que me levam a muitas reflexões. É como se cada dose viesse acompanhada não apenas de drogas que matam as células cancerígenas, e as boas também, mas, sobretudo, de doses de autoconhecimento.

Sentada, semanalmente, na clínica, durante 4 horas para tomar a quimioterapia (sim, fico 4 horas conectada a bolsas de remédios e dois tipos de drogas), já me peguei pensando muito em várias coisas: sobretudo do que é realmente importante nessa vida, do que vale ou não a pena neste mundo “corrido” que estamos vivendo, sobre o uso exagerado e desgovernado dos aparelhos tecnológicos, da alimentação de qualquer jeito, sobre a vida estressada que levava, sobre minhas ações e reações diante de alguns problemas, de quem sou e qual minha verdadeira missão neste plano …, enfim… o câncer, com toda certeza, nos faz conectar mais com meu íntimo. Aquilo que, por muitas vezes, empurramos para baixo do tapete por “falta de tempo”…porque tudo parece mais importante do que nós mesmos.

Aprendizados

E não é que nesse processo surreal é possível aprender? E acreditem, estou aprendendo muito:

  • Aprendi que, pela primeira vez na vida, eu teria que esperar e deixar o imediatismo de lado;
  • Aprendi que somos humanos adaptáveis, mais do que imaginamos ser. Na necessidade, sim, dormimos do lado que não gostamos, ou de barriga pra cima, ou de barriga pra baixo, ou de jeito que dá; sim, comemos o que é necessário; sim, conseguimos o que normalmente dizemos que não conseguimos; sim, esperamos o quanto é necessário e por ai vai;
  • Aprendi que, na necessidade, fazemos o que é necessário para viver – sim, tive semanas de muitas adaptações, sobretudo, alimentar já que preciso comer a cada 2h30/3h;
  • Aprendi que câncer não é mais uma sentença de morte, mas sim uma sentença de VIDA (meu caso é de 98% de chance de cura);
  • Aprendi que a medicina está muito evoluída, com técnicas muito avançadas;
  • Aprendi que é muito bom ter família e amigos por perto;
  • Aprendi que colher o que plantamos é muito bom, sobretudo, quando tudo isso vem sem esperar;
  • Aprendi que cada paciente é um caso único. Cada corpo é um corpo. Cada caso é um caso. Logo, cada câncer é um câncer;
  • Aprendi que tem pessoas que não sabem agir nem reagir a um processo como esse e preferem se afastar. E que o necessário neste momento é respeitar e compreender o limite do outro;
  • Aprendi a me olhar mais, a respeitar os limites do meu corpo;
  • Aprendi que ao dizer NÃO ao outro é dizer SIM a si mesma. E isso é libertador e tem nome: AMOR-PRÓPRIO;
  • Aprendi a ficar comigo mesma – pedi aos familiares e amigos para me visitarem após 15 dias da primeira quimio, queria entender melhor tudo isso, antes de ter que responder muitas perguntas, as quais nem eu tinha respostas ainda;
  • Aprendi que o silêncio grita, mais do que imaginamos;
  • Aprendi que anjos existem e que chegam em forma humana;
  • Aprendi a importância de delegar e confiar porque eu posso ser substituível;
  • Aprendi que tudo se organiza, independente de nossa vontade. E mais: nossa resistência é uma tolice, porque o universo SEMPRE irá tratar de fazer o melhor para cada um de nós, mesmo que não conseguimos perceber naquele determinado momento. Quanto mais resistirmos, mas o Universo irá nos mostrar de várias formas;
  • Aprendi a ter que acalmar minha mente. Da mesma forma com que meu corpo foi freado – e isso é um desafio diário, pois não que eu não queira, eu quero, mas vinha num formato acelerado há 20 anos, e como tudo é hábito, aprendi que preciso construir novos hábitos para ter mais paz interior, mais harmonia dentro e fora do “meu templo”, vulgo meu corpo;
  • Aprendi a conversar mais com Deus. Eu já falava com Ele diariamente no banho (era nosso momento – pois se esperasse para ser na cama eu capotava). E hoje falo com Ele em vários momentos do dia: pedindo muita proteção aos meus anjos da guarda que estão comigo sempre. A única coisa que peço a mim é serenidade para lidar com tudo isso sem cair, sem perder a paz interior, sem pirar com toda essa experiência. Para manter a mente bem, já que os médicos dizem que 80% do tratamento está associado com a cabeça do paciente. Logo, estou buscando ter bom-humor, leveza e muita paciência (comigo e com as pessoas). Nunca me revoltei, como já mencionei aqui no blog, mas só sabe o quanto é desafiante (para não dizer difícil – não gosto dessa palavra) quem vive essa experiência;
  • Aprendi que as pessoas podem ser mais gentis umas com as outras. Tenho experenciado isso praticamente todos os dias: da família aos amigos; dos médicos aos atendentes das clínicas por onde passei e passo; dos motoristas de Uber aos atendentes de supermercados, farmácias, feiras livres; Dos adultos, aos adolescentes e crianças curiosas (mãe por que ela não tem cabelo? – muito fofo…eu me abaixo e peço para passar a mão). Em um processo como o de câncer, as pessoas chegam completamente desarmadas, com muito amor. É um encontro (meu e do outro) de campo vibratório muito harmônico, lindo de sentir e observar;
  • Aprendi, sobretudo, que sempre é tempo de aprender….e estou muito aberta a tudo e todos;
  • Aprendi a confiar mais em mim.

É isso gente! Muita gratidão por aqui!!

Sigo firme, forte e muito confiante!

Beijos carinhosos

Gi

💛

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