E o trabalho continua…

Oi gente…

Tudo bem por aí? Aqui sigo … com quimios semanais (essa semana fiz a sétima) e trabalhando! 🙌🏻 🙌🏻 Este é o tema deste post, onde quero contar sobre minha rotina profissional.

Mas, antes, quero compartilhar como foi para mim essa questão do trabalho e a descoberta do câncer.

No dia do diagnóstico, dia 11/10, em meio a tantas informações, acho que fui altamente ingênua ao falar para minha médica:

– Dra. Rosana, preciso entender como será este processo das quimioterapias….eu tenho uma agenda muito tumultuada e preciso me organizar bem. Como é a quimio? É tomada? É injetada? Como funciona?
Sério, não fazia a menor ideia, pois nunca vivenciei isso de perto!

Para minha total surpresa, depois dela dizer que eu teria que fazer uma cirurgia para instalar um catéter (farei um post só sobre isso, pois isso é vida no tratamento) ela decretou:

– Minha querida, acho que você não deve estar entendendo muito bem o que está acontecendo né? Você terá que parar de trabalhar durante, pelo menos, seis meses.

Neste momento meu mundo caiu, pela segunda vez no mesmo dia. Não sei se fiquei mais perturbada com o diagnóstico do câncer em si ou com a notícia de que teria que parar de trabalhar. Eu só pensava: como vou fazer? Como resolver essa situação?

Saí de casa há 20 anos, aos 16 anos de idade, e desde então assumi minha vida. Nunca parei de trabalhar. Nunca tirei férias de 30 dias, nem quando fui funcionária, pois sempre vendia minhas férias. Nunca dependi de ninguém para nada, nem financeiramente. Sempre fui independente. E naquele momento, a sensação que eu tive é que eu dependeria de tudo e todos… e isso me deixou completamente em choque e muito, muito perturbada!

Mas, como o universo trata de organizar aquilo que muitas vezes não compreendemos, aos poucos as coisas foram se organizando, se acomodando. E eu percebi que o fluxo seguiria e que tudo ficaria certo!

Eu e minha sócia, a Fernanda Luchi, já vínhamos atuando juntas e estudando nossa sociedade para o ano que vem, o que decidimos antecipar por conta do processo. Leia mais aqui.

Eu tive exatos 15 dias, do diagnóstico até o início da primeira quimio em 29/10. Foi a quinzena mais intensa de minha vida, pois atuei umas 15 horas por dia para dar conta de tudo. À noite chorava quando rezava. Nessa correria insana emagreci 7 quilos (acho que metade foram nas lágrimas).

Foi assim: chorei o dia todo dia 11. E ainda liguei para a Unisul em Tubarão para cancelar uma palestra que daria à noite para 150 pessoas confirmadas. À noite reuni minha família para contar sobre o diagnóstico (ficaram em choque porque eu não contei que estava investigando. Não quis alardear sem ter certeza).

No dia 12, dia das crianças, fiquei duas horas com minha psicóloga e sai de lá direto para o Bahia Sul para agendar todos os exames, o que realizei 80% deles no domingo mesmo, dia 14.

Quando falei com minha médica na segunda, que estava em viagem internacional num congresso, ela disse:
– quero saber quando irás agendar os exames.
– Dra. já tenho o resultado de dois deles.
– Como assim Gisele?? (Totalmente surpresa).
– Já chorei o que tinha que chorar, agora vamos em frente. Já lhe disse que serei um caso à parte na tua clínica… (e isso já está se confirmando, farei um post sobre isso).

E nesse período de quinze dias, eu parecia um trator… não parei para pensar, sai agindo. Eu só pensava que chorar não iria mudar meu diagnóstico, então decidi encarar super de frente e fazer disso o meu melhor projeto de vida. Afinal, eu sempre atuei em tantos projetos profissionais e sempre me dediquei tanto. Esse deveria e está sendo o melhor projeto que precisa de mim. Em meio a muitos medos eu fiz em quinze dias o que faria em um mês ou mais tempo:

– Me reuni com todos os clientes do escritório para contar o que estava acontecendo;

– Contratei e demiti gente no time;

– Várias reuniões com a sócia para tratar várias questões;

– Mantive algumas reuniões de prospecção;

– Estruturei o trabalho de cada cliente com o time;

– Fizemos a mudança do escritório. E neste dia estava pós operada 3 dias do catéter. Não pude levantar uma caneta. Sentada no escritório, eu gerenciada a mudança, que só foi possível graças a minha família.

– Montei um home office em meu apartamento – de onde me mantenho ativa no trabalho;

– Fiz uma bateria de exames, muitos mesmos em várias clínicas, sobretudo, para descobrir como estava meu corpo por dentro. Pensa, eram ligações para agendar, ir fazer, buscar exames, levar na médica e assim foi… muitas voltas;

– Consultei com outro médico, para uma segunda opinião. Pesquisa, liga, agenda, faz a consulta…;

– Fiz um ensaio fotográfico para registrar meu momento pré-tratamento;

– Fiz a cirurgia do catéter, com internação e pausa para descanso;

– Montei uma lista de transmissão para atualizar família e os amigos mais próximos, os quais mandava notícias diariamente;

– Tranquei mestrado;

– Fiz reunião com os sócios da Startup Banga, onde decidimos pela minha licença temporária;

– Fiz outras reuniões para comunicar meu afastamento temporário de alguns projetos;

– Fiz reuniões com a advogada e o contador para organizar questões burocráticas;

– Fui em busca de questões pontuais a este tipo de diagnóstico como seguro de vida e outras coisas neste sentido, e cabe aqui registrar que farei um post sobre essa questão de seguro de vida. Minha experiência não foi positiva, quando mais precisei;

– Fui a Balneário Camboriú ver o Zeck Dog, pois sabia que tão cedo não teria contato;

– E deve ter mais coisas que já não estou lembrando mais….

Passado tudo isso, e dado início ao tratamento, cheguei para minha médica e disse que não poderia e não queria parar de trabalhar 100%. Eu atuava 15 horas por dia … e me tirar isso, e muitas outras coisas atreladas ao tratamento, eu ia pirar porque meu corpo estava sossegando, mas como parar minha mente?

Ela já tinha me explicado que o motivo de parar era porque eu não poderia, como não posso, me estressar com nada. Meu tumor estava se multiplicando rapidamente (normal é 14 e o meu estava em 60) e as células cancerígenas se multiplicam com o stress.

Ela me disse que eu poderia trabalhar se eu conseguisse fazer isso de forma sossegada. Sem cobranças, sem stress, sem prazo. Foi quando, logo no início do diagnóstico, eu e Fernanda decidimos que eu me manteria na estratégia dos clientes e ela e o time assumiriam a linha de frente! Foi a melhor decisão que tomamos. Contratamos uma Gestora, que já chegou chegando assumindo e dando conta do recado.

E assim estou seguindo. Cuidando da estratégia, participando de varias reuniões com os clientes (via online) e preparando os projetos de 2019, os quais serão nossa grande virada ano que vem. Eu já vinha me movimentando neste sentido ao longo deste ano. E tudo se intensificará ano que vem! Se “correndo” 15 horas já estava tudo fluindo, imagina agora eu “quietinha” e sossegada em casa, organizando tudo isso!

Eu levei um tempinho, um pouco mais de um mês, para perceber (pois já tinha entendido) que eu poderia me manter ativa, desde que eu respeitasse os limites do meu corpo. E assim tenho feito.

Ficar na estratégia me permite atuar quando consigo. E isso me deixa bem. Fico meio off três dias (o dia da quimio e os dois seguintes) e nos demais trabalho de forma cautelar. É possível sim. E como atuo em casa, faço meus horários. Não pego trânsito, telefone toca pouco, pois me afastei de vários projetos, consigo ter qualidade de vida.

Essa semana fiz minha sétima quimio. Até a quarta, ou seja, o primeiro mês, consegui atuar pouco, pois ainda estava entendendo as reações do meu corpo. Fiquei mais dedicada a responder às dúvidas do time e a ajudá-los com o que não conseguiam. Eu orientava e eles seguiam. Mas, desde a quinta quimio em diante já venho atuando continuamente…. quietinha e com cadência.

Na última sexta, 7/12, inclusive, me permiti a ir na festa da Acate. Meu primeiro compromisso público profissional desde o diagnóstico. Me senti ótima. Me preparei para o momento. Até dancei. E fiquei feliz de encontrar os amigos. Inclusive um deles nem desconfiou do câncer, mesmo eu estando de cabelo raspado. – Gi, achei que era style. Estás tão bem que nem parece que é câncer!

Hoje, se me sentir bem, irei num lançamento de um cliente. Eu procuro ver como estou no dia e na hora. Se me sinto bem, eu faço minha lancheira (com comida pontual) e tenho me desafiado.

Minha psicóloga me disse que o grande segredo está na cabeça. A médica já tinha me falado que 80% do tratamento está associado a como reagimos diante da doença. Eu, honestamente, não me sinto doente. Não se trata de aceitação, já aceitei e estou muito grata por estar vivendo isso, acredite. Já meditei muito sobre tudo isso é já entendi que será minha melhor oportunidade de rever vários pilares de minha vida, como já estou revendo.

Mas, já entendi também que meu câncer não é uma sentença de morte, pelo contrário, é uma sentença de vida. E se me sinto apta e capaz quero poder me sentir útil. Isso me deixa viva nesse processo…

E assim sigo. Firme, forte e muito determinada com o tratamento, respeitando meu corpo para manter a cabeça boa. E o trabalho me trás isso também, pois me sinto útil!

Beijos

Gi

💛

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