2ª quimio: a falta de controle do corpo continua…

A segunda quimio, como previsto, ocorreu na segunda-feira dia 5 de novembro. Eu ainda estava bem tensa da primeira semana, quando havia perdido o controle do meu corpo. E eu iria descobrir que isso se manteria ao longo desta semana também…

Outras coisas começavam a me assustar mais: o fato das taxas do exame de sangue baixarem – algo totalmente previsto neste tipo de tratamento; e a questão da alimentação, pois eu ainda não havia passado pela nutricionista da clínica. Apenas estava me baseando na consulta com a chefe da quimio e pela cartilha que a clínica oferece.

Eu só pensava: “Jesus, se isso for acumulativo é capaz de chegar num determinado momento e eu não poder executar a quimio”. E isso de fato pode ocorrer na prática, por isso a alimentação é algo que merece muita atenção. Para ter uma ideia, por segurança, se o hematócrito chegar a 30, por exemplo, não faço quimio.

Assim como as plataquetas, que precisam estar sempre acima de 100 mil. Eu iniciei o tratamento com os seguintes índices:  40,1 de hematócrito; 186 mil plaquetas; 6.470 de leucócitos; e 12,9 de hemoglobina. Segundo o outro médico que me consultei (para ouvir uma segunda opinião antes de iniciar o tratamento), ele disse que eu poderia correr uma maratona com esses resultados. E cá entre nós, eu não tinha números excelentes assim nos últimos cinco anos. Esses dados me ajudaram muito no estágio inicial, apesar, de mesmo assim, eu ter a sensação que perdi o controle do corpo.

Em meio aos mesmos sintomas da primeira semana (tontura, tremores e fortes dores de cabeça) eu decidi que iria levar totalmente a sério a questão da alimentação. E após me consultar com a nutricionista eu fiz algumas adaptações alimentares. Ela gostou de ver que eu já tinha hábitos alimentares muito bons – fruto do acompanhamento que fiz há cinco anos com um nutricionista e que, de tanto que gostei, incorporei para minha vida. A regra é comer a cada 2h30, no máximo 3 horas. Toda refeição precisa ter uma proteína (vegetal ou animal) etc etc… Sobre alimentação farei um post dedicado só a isso, mas explico alguma coisa aquipois tem várias restrições alimentares e inúmeras adaptações, sobretudo, na manipulação e preparo dos alimentos. E tem muito aprendizado também…vale a pena dedicar algo só sobre isso.

Nesta segunda semana, minha mãe ficou comigo na terça e minha irmã na quarta. Ali foi estabelecido uma rotina que vamos procurar manter até o final do processo. Sempre fico acompanhada nos dois primeiros dias pós quimio. Elas me ajudam absurdamente, sobretudo, com a comida, deixando várias porções congeladas e com os cuidados da casa. Num geral, os principais sintomas, aparecem nestes primeiros dois dias. Oscilo bastante na terça e quarta… e tenho procurado respeitar meu corpo neste sentido.

No início do tratamento, acredito que a maioria das pessoas entra numas neuras. E não foi diferente comigo. Afinal, são tantas orientações, tantas situações novas, tantos alertas… e a gente só pensa: é a minha vida que está em jogo.

Como nossas defesas corporais ficam altamente comprometidas, eu tinha medo de muitas coisas: de frequentar lugares que fui orientada a não ir, de comer qualquer coisa não passada pela nutricionista, de beber as inúmeras indicações de chás que recebi (foram muitas mesmo, mas essa foi a primeira orientação na clínica: a partir de você só vai beber após nossa validação, pois pode interferir no tratamento), de ter contato com as pessoas – sobretudo com as gripadas (não poderei durante todo o tratamento em função da imunidade) – tudo porque nosso organismo passa a ser visto igual ao de uma criança recém nascida sem vacinas. Isso mesmo….todo aquele cuidado que os pais tem com aquele serzinho que chega ao mundo passa a ser o meu. É estranho esse hábito, mas é justamente uma questão de readaptação de hábitos. Ou seja, apesar de, aparentemente, estarmos bem, nosso corpo por dentro está completamente diferente e muito frágil. A quimio “mata” as células ruins, mas também as boas.

E isso é percebido também na regeneração da pele. Eu, distraída como sou, vivo me esbarrando e me machucando. Vivia roxa e me cortando. E não está sendo diferente agora. E, claro, já nesta segunda semana passei a observar isso em mim. Andei me cortando e percebi que, o que antes se recuperava em três, quatro dias, agora passou a levar mais de uma semana. Outra curiosidade sobre isso é que formou uma camada mais grossa de pele, e de cor arroxeada, em torno do corte. E assim segui colocando mais atenção neste ponto…

… outro ponto que eu ainda vinha observando era a questão do cabelo. A médica disse que iria cair já durante a fase branca. Já a Vilma, chefe da enfermagem da quimioterapia, comentou que talvez poderia não cair. Na dúvida eu preferi esperar para ver o que seria….e a terceira semana seria fatídica neste sentido….

Beijos carinhosos

Gi

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s