1ª quimio: muitos medos, várias descobertas

Oieeeeeeee!

Tudo bem? Espero, verdadeiramente, que por aí sim.

Hoje quero contar como foi minha experiência durante a primeira semana de quimioterapia.

Mas, antes, deixa eu fazer uma observação. meu tratamento é dividido em: fase branca (12 sessões, uma por semana = 3 meses) e fase vermelha (4 sessões, uma por quinzena = 2 meses). Só após esses cinco meses de quimioterapia é que será realizado a cirurgia – e como já mencionei aqui no blog, por questão de protocolo eu não escapo nem de quimio, tão pouco de cirurgia, mesmo que o tumor desapareça durante as quimios. A cirurgia é necessária para retirar o tumor, parte dele ou o quadrante onde se encontrava – para evitar que volte.

Agora voltando a minha primeira quimio. Eu fiz dia 29 de outubro, na Viver Clínica médica, onde estou fazendo todo meu tratamento. Se pudesse resumir em duas palavras, eu diria #apavorante e #surreal.

Nesta primeira semana eu ainda sentia medo de tudo, já que tinha me preparado para os piores sintomas: vômitos, diarreias, enjoos, náuseas, enfim, todas aquelas coisas típicas que “normalmente” lemos ou vemos em filmes – de forma muito errônea – sobre a sentença de “morte” do câncer. Só um detalhe válido: já vi vários filmes de câncer e me dei conta que eles enaltecem muito os sintomas como forma de mostrar o extremo do extremo. Mas, vale lembrar que cada caso é um caso e na prática tudo é diferente. Num geral, os filmes retratam de forma bem generalizada todos os casos e é por isso que quando passamos por esse processo ou descobrimos uma pessoa próximo ficamos “desesperados”. Calma, gente, não é exatamente bem assim. O mais importante é entender o tipo de câncer de cada pessoa e sua gravidade. Isso é que determinada todo e qualquer quadro clínica e, possivelmente, as reações e chances de cura.

Eu descobri, na prática, que a medicina está muito evoluída e que hoje em dia já existem (graças a Deus e aos pesquisadores) todo um preparo para evitar, ou amenizar, os sintomas das quimioterapias. Nessa primeira sessão fui acompanhada da minha mãe, Rosa, e do meu melhor amigo, o André. Eles ficaram comigo o tempo todo. Eu cheguei na clínica muito assustada. Não sabia o que esperar. O medo do desconhecido é o pior inimigo da gente nessas horas…

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Eu e minha mãe 🙂
Eu e meu melhor amigo, o Andre 🙂

A Vilma, chefe da enfermagem da quimioterapia, muito experiente, percebeu minha tensão, e dos meus convidados, especialmente da minha mãe, e me levou para uma outra sala para puncionar (colocar agulha) o cateter. “…vamos lá Gi, respira três vezes e na terceira segura a respiração”. Confesso que doer mesmo, não doeu e nem dói (até hoje). É só uma picadinha igual tirar sangue. Agora sei disso. Mas, até passar por essa experiência eu imaginava mil coisas…Confesso que chorei. Mais de nervoso do que de dor. A Vilma me abraçou e me acalmou. E eu disse: “Não quero chorar na frente da minha mãe, quero ser forte Vilma” (rolou uma lágrima aqui agora, de emoção). Ela, com aquela voz angelical (que mulher – que time de profissionais) me disse: “eu sei que é assim, minha querida, e por isso te trouxe aqui nesta sala”.

E assim voltamos para a sala da quimio. Me sentei numa poltrona superconfortável (tipo aquela do papai/vovô, que reclina, que nos abraça, sabe qual?) e demos início a medicação. Das quatro horas que fico tomando quimio (isso mesmo 4 horas), as duas primeiras são para preparar o corpo. Lembra que comentei acima que a medicina evoluiu? É remédio para gastrite, náusea, vômito, antialérgico e por aí vai. De cara vem o antialérgico e que me derruba, literalmente. Um sonooooooo toma conta de mim e me deixa bem molinha (e nessas horas reclino a tal poltrona, puxo um travesseiro e uma mantinha e me entrego). As duas horas finais são reservadas para as “drogas” de fato do tratamento quimioterápico. É ministrada a primeira “droga” do protocolo tradicional do câncer, seguida pela “droga” (carboplatina) associada ao meu caso específico – tríplice negativo.

Esse procedimento se repete toda segunda-feira à tarde na Viver Clínica Médica, onde faço meu tratamento e só tenho a agradecer a todos (em breve farei um post sobre isso). E deverá se repetir toda segunda nesta primeira fase, desde que minhas taxas (plaquetas, leucócitos, hematócrito etc) estejam bem para receber mais uma dose. E para validar a próxima sessão, todo domingo cedinho eu faço um exame de sangue no Laboratório Santa Luziado Bahia Sul Medical Center, em Florianópolis (são duas unidades 24h na Grande Floripa). Eu costumo fazer o exame até às 9 horas para poder ter o resultado no período da tarde, pois preciso saber se as taxas estão a meu favor. Valido o resultado com a médica e assim dou início, ainda no domingo, ao preparo da próxima quimio: tomo 5 comprimidos de antialérgico à noite e mais 5 segunda pela manhã.

Diferente do que eu pensava e do que eu tinha me preparado psicologicamente, os sintomas “tradicionais” não vieram (graças a Deus). Mas acabei tendo outros: tremores, tonturas, fraquezas e muitas dores de cabeça.

Lembro de ter acordado na terça, ter olhado para mim mãe e falado: “mãe, acordei super bem, nem parece que eu fiz quimio. Deixa que hoje eu farei o café para nós (toda feliz querendo me sentir útil)”. Mera ilusão. Subestimei valendo meu corpo. Pulei da cama, literalmente, e fui fazer o café, mas dos 20, 30 minutos que fiquei na cozinha parecia que tinha puxado um trem de carga. Foi como se eu tivesse trabalhado aquelas 15 horas que eu percorria antes do diagnóstico. Bateu um cansaço absuuuuurdo, além de ter ficado tonta e a mãe ter que finalizar o café.

E assim passei o dia: cansada por tudo. Qualquer mero esforço eu cansava muito. Sabe a técnica pomodoro? Só que no meu caso, 25 minutos de qualquer coisa – até para comer – eu precisava de algumas horas de reposição. Praticamente passei o dia entre tentativas e repousos, variando entre a cama e o sofá. Uma amiga ficou comigo: fez comida e me cuidou com muito carinho e amor (alias, estou repleta disso e faz toda a diferença – acreditem).

Em compensação na quarta, parecia que tinha tomado energético. Em meio a tonturas e muito tremores eu cozinhei e trabalhei – ainda estava na fase de passar muitas coisas ao time do escritório. Neste dia fiquei sozinha em casa, sendo monitorada por telefone. Ainda não tínhamos estabelecido uma rotina. Tudo ainda estava se organizando, tanto na vida pessoal, quanto na profissional.

A quinta-feira foi o pior dia, pois as coisas que programei não saíram exatamente como previsto. Foi quando me dei conta que eu não teria o controle do meu corpo, ao menos até “ele” entender o que estava se passando. E até eu entender que agora as coisas não estavam mais sob meu total controle, como nos últimos 20 anos (da minha independência). Existe um corpo e existe um processo de quimioterapia. E que esses dois precisam se reconhecer, para se conhecer e emitir respostas. Ou seja, neste plano em tudo depende de tempo e espaço, era necessário esperar um tempo hábil de ação a toda a medicação que foi inserida no meu corpo.

Neste dia percebi que estava perdendo o controle sob mim mesma – e isso foi chocante. Isso foi altamente frustrante para uma pessoa que sempre controlou muitas coisas ao seu redor, sobretudo, seu corpo. Que ia e vinha a qualquer momento. Que “mandava” e desmandava em si mesma a qualquer momento, de forma consciente. E dessa mesma forma consciente, percebi que teria que esperar e que o melhor que eu poderia fazer era meditar e tentar comandar meu corpo e minhas células de outra forma, com o poder do pensamento. (Farei um post sobre isso).

No final deste dia eu chorei muiiiiiito. Estava completamente arrasada e muito abalada, físico e emocionalmente. Fiquei assim porque eu havia criado a expectativa de que acordaria bem. Que ao levantar da cama neste dia o meu corpo já teria assimilado aquelas medicações todas e que eu teria liberdade de ir e vir. Que poderia pegar meu carro e resolver as coisas sozinha, como sempre fiz.

E nesta quinta eu acordei, comecei a fazer minhas coisas e lá pelas tantas eu pensei: “gente, que dia é hoje mesmo?”. Ali já comecei a chorar. NUNCA eu tinha passado por isso. NUNCA tinha ficado 3 dias sem sair da porta de casa. Sim, entrei na segunda à noite em casa e só coloquei o pé pra fora na quinta à tarde. E as frustações começaram a chegar. Erro meu, eu sei. Mas, para uma pessoa positiva como eu: eu quis acreditar que tudo seria mais fácil. Eu só pensava lá no início da semana: vou dar um tempo para meu corpo terça e quarta. E vou reservar a quinta para sair e resolver umas coisas. Até sai, meio passando mal, mas precisei de muitas ajudas: para ir, para vir. Três pessoas se mobilizaram para me ajudar com as 3 voltas que precisavam ser feitas naquele dia, naquela data.

Sempre fui e sou muita grata pela rede de amigos que construí. Eu não tinha noção do quanto ela era grande. Hoje percebo que plantei algo de bom, pois tem se refletido em muito amor e muitas ajudas. Mas, ter que pedir foi difícil para uma mulher altamente independente como eu. Eu pensava: “meu carro está parado na garagem e eu não tenho o domínio do meu corpo. Isso é surreal”. E quando cheguei em casa à noite, eu desabei. Em meio a tantas lágrimas de frustração eu agradecia por ter pessoas amigas e tão boas que, com um simples pedido, me ajudaram. Era um misto de sentimento: frustração e gratidão – pois eu queria fazer algo a mais por mim mesma e naquele momento me caiu a ficha que sou/estou frágil neste momento.

E assim passei toda essa primeira semana: com tremores, tonturas e cansaço absurdo de e por tudo. Ao final deste primeiro ciclo eu só pensava: vai passar. A médica disse que as duas, três primeiras semanas são assim mesmo. O corpo precisa se acostumar. Ele precisa entender e associar as “drogas” pesadas que estamos ministrando nele. Mas, acalme-se, e confie, é assim mesmo.

Me testando

Quem me conhece sabe que já tem alguns anos que venho mudando muitos hábitos em minha vida. Passei a fazer vários esportes (os quais amo), academia (depois dos trinta virou lei) e a cuidar mais da alimentação. Quem realmente me conhece sabe que nunca tomei um porre alcoólico na vida, que bebo muito socialmente (é até um pecado falar isso, que bebo socialmente, pois até uma ice me deixa tonta – e juro, levo uma noite inteira para beber uma caipirinha qualquer) e que detesto tomar remédios, já que opto por tudo que seja mais natural (apesar dos meus pecados capitais – quem nunca né – sou humana).

Todo esse processo de quimioterapia envolve muitos remédios: antes, durante e após as sessões de quimioterapia. Eu e minha médica, Dra. Rosana Leal Marcon, sempre conversamos muitos. Pedi muita transparência em todo meu tratamento e jurei duas coisas: jamais desistir e que daria meu melhor em todo o tratamento. Eu habitualmente sempre chego com várias dúvidas e ela, gentilmente, e muito paciente comigo, as sana por completo. Ela é direta e objetiva e gosto muito disso nela, pois como sou prática, percebo que a gente super se entende.

Ela me receitou, por cuidado preventivo e também por protocolo clínico, vários remédios: a primeira receita envolvia remédios para gastrite, náusea, enjoo e antialérgico. A segunda receita vários outros preventivos. Eu deveria tomar diariamente o de gastrite, duas doses por 3 dias do antialérgico e os demais sob necessidade. Quando questionei o antialérgico (já que o tomava domingo, segunda pela manha e durante a quimio, ela me disse que iria fazer por prevenção e que queria testar meu corpo nas três primeiras semanas.

Nessa hora, confesso que pensei: “bom, se é para testar meu corpo, eu também farei meus testes”. As pessoas próximas me criticaram, e muito. Tudo porque eu havia decidido não tomar o de gastrite, pois conheço muito bem meu corpo e por outras experiências anteriores eu sei que esse remédio me “tranca” muito. Logo, decidi não tomar. Mas, em função da pressão cedi e tomei um inteiro no dia seguinte a quimio, e mais 3 meia doses em dias intercalados. O antialérgico tomei 1 dos 6 comprimidos indicados. E os demais não tomei.

Eu só pensava: “me conheço, sei da capacidade do meu corpo e vou testá-lo para entender, desde já, seus limites”. Apesar de tomar esses poucos remédios, fiquei sem conseguir ir no banheiro 3 dias. Foi quando decidi suspender de vez tudo e logo tudo se normalizou. E passei a continuar a ir no banheiro todos os dias, as vezes até duas vezes ao dia (como meu habitual).

Sou muito transparente e procuro sempre primar pela verdade, mesmo que isso me prejudique (e já passei por N`s situações que poderia omitir, mas assumi o risco, pois queria que soubessem por mim). Decidi que não esconderia nada da Dra. Rosana, afinal, se fosse dar algum problema, ela teria que ser a primeira pessoa a saber. Quando contei os testes que fiz, vi que ela não gostou muito, mas resolvi assumi o risco de me testar, já que a palavra de ordem era teste. Só ouvi um: “você é danada. Me conte como você passou essa primeira semana”- detalhe, antes de toda quimio eu me encontro com minha médica para validar a semana anterior e o exame de sangue. A dose da quimio do dia é ajustada conforme as taxas.

Quero deixar bem claro que isso NÃO é uma apologia para não tomarem os medicamentos indicados pelos médicos. Pelo contrário, tomem SIM. Eu só fiz isso porque conheço muito bem o meu corpo. Venho o observando há mais de cinco anos quando decidi ter uma vida mais saudável. Não são cinco meses, cinco semanas, são mais de cinco anos – que por sinal se refletiram nos meus exames clínicos pré inicio de tratamento. E porque já passei por outros procedimentos médicos, os quais já tinha feito alguns testes assim também.

Sou daquelas que lê bula e manual, de TUDO. Procuro sempre entender as coisas, ao invés de aceita-las de forma sumária. Questiono tudo. Não por falta de confiança, mas sim para entender como as coisas funcionam. E para isso eu pergunto aos especialistas, que me ajudam a entender o processo das coisas. Neste caso iríamos fazer um teste. A palavra teste me soou como um balsamo. E decidi fazer o teste evitando os remédios. No caso específico do antialérgico, a médica iria testar meu corpo, sobretudo, para ver como ele iria reagir a tanta medicação, especialmente, a carboplatina. Percebi que tomar 10 comprimidos do antialérgico pré quimio e mais uma dose durante a quimio já poderia ser necessário. E foi o suficiente. Esses tomei ao pé da letra por todo o período indicado (3 primeiras semanas) até a Dra. me liberar. Mas, ela foi categórica: na dose vermelha você terá que tomar diariamente o da gastrite, ou você irá se prejudicar muito. Ok, doutora, assim o farei. Anotado e registrado J.

É isso gente! Muita gratidão por aqui!!

Sigo firme, forte e muito confiante!

Beijos carinhosos

Gi

Um comentário sobre “1ª quimio: muitos medos, várias descobertas

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